Origem do nome Aboim das Choças

Há várias terras em Portugal e em Espanha com o nome “Aboim”. O topónimo deriva do latim [Villa] Abolini, “a quinta do Abolino”. Quem era Abolino? Há registos de que terá sido um chefe celta que andou pelo território lusitano e acabou por deixar o seu marco na toponímia até aos dias de hoje. De acordo com a freguesia, que cita “tradições antigas”, o que a diferencia são as “Choças”.

O nome de “Choças”, segundo tradições antigas, deriva de se terem ali edificado algumas choças quando acampou, na freguesia, Afonso VII de Leão e Castela, rei de Leão, com o seu exército quando da Batalha de Arcos de Vale de Vez, em 1128, ou, segundo outros, em 1139, batalha em que ficaram derrotados os castelhanos.

Em 1643, esteve ali reunindo a sua gente, D. Diogo de Lima Brito e Nogueira, Visconde de Vila Nova de Cerveira, quando foi em auxílio de Monção, sitiada pelos espanhóis. Era comandante dos exércitos o conde de Castelo Melhor. Na defesa de Monção, ilustrou-se a condessa D. Mariana de Lencastre.

O rio Vez separa esta freguesia de Vilela mas as duas margens do rio encontram-se unidas pela ponte medieval de Vilela, de grande interesse histórico.

Resenha Histórica de Aboim das Choças

Esta freguesia distante de 11 quilómetros do concelho para noroeste é limitada ao norte por Padroso Eiras e Portela a Leste Por Alvora e Vilela ao sul por Sabadim e a oeste por Mei e Eiras.

Na sua área os montes de Castro de Lamas e de Castro são abundantes em vestígios de antigas povoações. ~

É banhada pelo rio vez tem escola paroquial e é atravessada pela estrada real dos Arcos a Monção

É composta pelos lugares da igreja Longra Vilar Levandeira Bouças Choças e Costa do Monte.

Em 1890 tinha 115 fogos e 450 habitantes. Sendo 198 homens e 252 mulheres eram casados 74 homens e 83 mulheres;

114 Homens solteiros e 152 mulheres viúvas 10 homens e 17 mulheres apenas sabiam ler 75 homens e 3 mulheres.

Padroeiro: Santo Estêvão.
Habitantes: 356 habitantes (em 2001)
e 376 eleitores em 2003.
Economia: Agricultura, Industria e Serviços.
Festas: S. Pedro (29 de Junho), Senhora da Saúde (último domingo de Julho) e Santo Estêvão (26 de Dezembro).
 Património e aspectos turísticos:
Igreja matriz, casas do Sobreiro e do Perguntouro, Capela de S. Pedro e Quinta de Aboim, Monte Crasto e praia fluvial no rio Vez.
Associação: ADECAS – Associação Desportiva e Cultural de Aboim/Sabadim.
 

A Igreja de Aboim

A Igreja Paroquial é de uma só nave e foi construída há cerca de quatro séculos.

Tem altar-mor e três outros no corpo da igreja todos de talha pobre.

A torre foi construída em 1850.

Num dos Altares esta a relíquia de Santo Estêvão que podemos ver dentro de uma pequena caixa de prata e embrulhada num bocado de papel almaço.

Falta-lhe o papel que a autenticaria e por esse motivo é caso para se por em duvida que pertença ao Proto-martyr aquela pequena relíquia.

As antigas coro grafias já falam dela e dizem que foi mandada ao arcebispo primaz Balconio ai por 415 pelo presbítero e historiador Bracarense Paulo Orosio, que então se achava na Palestina onde assistiu a um concilio no qual se tornou celebre.

Diz-se que o portador da Relíquia foi Santo Avicto padre bracarense.

Nesta Igreja havia as confrarias do Sacramento e Senhora do Rosário esta freguesia foi de apresentação dos viscondes de Vila Nova de Cerveira.

O primeiro Pároco desta Freguesia foi o Abade Francisco Xavier de Lima Barbosa Sotto-mayor de 1777 a 1785

Capelas

Há nesta freguesia as seguintes

A capela de S. Pedro das choças que serviu de paroquia ai por 1600 durante as obras da Igreja.

Em 1674 erigiu-se ai uma irmandade que durou até 1847 que tomou conta da administração da mesma capela e mandou reedificada em 1859 fazendo-a menos vasta era um templo razoável mas estava muito arruinada devido a sua idade é capela pública.

Depois junto a quinta da Aboim foi reedificada a Capela de Santo António mas esta é particular.

Fabrica de Manteiga.

Nesta freguesia e próximo da Igreja no lugar do Perguntouro foi edificada em 1895 uma fábrica de manteiga que foi propriedade do Capitão reformado do exército António Joaquim Alvares d`Oliveira.

Visita Pastoral.

Esta paróquia foi visitada em 8 de Junho de 1776 por D. Frei Caetano que ali crismou e em 1901 por D. Manuel Baptista da Cunha que também ali crismou.

Lugar das Choças.

Pertence a esta freguesia parte do lugar das choças foi ali que esteve aquartelado o exército do visconde D. Diogo de Lima encarregado de acudir a Monção na guerra da restauração de 1640.

Quinta da Aboim.

É um antigo vinculo dos Pereiras fundado pelo abade de Cabana-Maior António Pereira ao qual sucedeu uma filha do nome Catharina que foi casada com João Araújo e Azevedo os últimos senhores do morgadio de Aboim foram António d`Azevedo Pereira tenente general e D. Marquesa sua filha que vendeu a casa e Quinta a um botiqueiro da vila de Arcos de Valdevez.

Nesta quinta esteve escondido o prior do Castro que tinha nesta província muitos corações delicados ainda hoje existe o esconderijo que é difícil de encontrar foi daqui igualmente que D. António fugiu para Viana ou Caminha e onde depois embarcou para França.

A resenha histórica desta freguesia foi possível graças as pesquisas efectuados em documentos históricos tais como:  

 Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais,

 Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, site Internet freguesias de Portugal,

 Varias obras de historiadores Arcuenses cedidas para consulta pela Biblioteca Municipal de Arcos de Valdevez,

Arquivo do jornal Noticias dos Arcos e ainda a colaboração da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez habitantes e Presidentes de Junta da freguesia citada

Realizado por Arlindo Galvão

Para Rádio Valdevez

Programa Minha Terra Linda Aldeia

Outros Factos Históricos

  • Gaspar Cerqueira da Costa (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Encomendado na paróquia de Aboim das Choças, de 1889 a 1891.
  • José Ferreira de Morais (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Abade na paróquia de Aboim das Choças, de 1789 a 1792.
  • José de Barros Lima (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Abade na paróquia de Aboim das Choças, de 1872 a 1874.
  • Capitão Amílcar de Oliveira
    Era um republicano muito ativo. Numas eleições em Aboim das Choças, a Traulitânia foi desancada pelo Amílcar de Oliveira e seus companheiros e, seguidamente, destruíram as urnas de voto depois de encerradas. Pai de Júlio Oliveira. Proprietário da fábrica de manteiga, em Aboim.
  • Quinta do Perguntouro
    Esta quinta existia nos finais sec. XIX em Aboim das Choças e nela estava instalada desde 1895 a Fábrica a Vapor de Manteiga e Queijos de Joaquim Álvares D’Oliveira.
  • José de Lima e Castro Sotomaior (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Abade na paróquia de Aboim das Choças, de 1785 a 1789. Foi Padre na paróquia de Mei, em 1782.
  • Francisco Joaquim da Rocha (Padre)
    Foi Abade na paróquia de Vilela, de 1886 a 1892 e 2.ª vez, desde 1895. Mais tarde foi Abade em Aboim das Choças. Foi Encomendado na paróquia de Eiras, de 1883 a 1885.
  • José Manuel da Costa (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Abade na paróquia de Aboim das Choças, de 1874 a 1889. Foi também Padre em Mei, em 1857. Encomendado em Loureda, de 1853 a 1861. Encomendado na paróquia de Paçô, em 1871 e depois foi para Vila Chã (concelho de Ponte da Barca).
  • Nicolau Marinho Gomes de Abreu
    Senhor da Quinta de Aboim, em Aboim das Choças, casado com Ana Amália de Araújo Azevedo (ver ficha), com quem teve os seguintes filhos: Nicolau Marinho Gomes de Abreu * 16.12.1885 José Marinho Gomes de Abreu * 13.07.1888 Maria Ana Marinho de Araújo Azevedo * 01.07.1890 Maria da Conceição Marinho de Araújo Azevedo * 06.07.1897 casada com Augusto de Abreu Machado Cardoso Pinto Osório.
  • João da Cunha Álvares (Alves) (Padre)
    Segundo o manuscrito “A Terra de Valdevez” foi Encomendado na paróquia de Eiras, em 1752. Foi este Cura que escreveu a Memória Paroquial de 1758 relativa à paróquia de Cabana Maior. Uma parte significativa da igreja paroquial de Aboim das Choças foi edificada quando este padre paroquiava, pois segundo Moreira (2006), “A atual igreja é de uma só nave e foi reconstruída no início do século XIX, no tempo do abade João da Cunha Álvares.
Heráldico

A palavra freguesia tem origem no latin filius ecclesiae, que significa “filho da Igreja. Esta expressão evoluiu para “freguês” (referindo-se ao paroquiano, ou seja, aquele que pertence a uma paróquia) e, posteriormente, com o sufixo “-ia”, originou “freguesia”, indicando o conjunto de crentes ou o território da paróquia.

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